OLHARES DE RABISCO de Sílvia Schiermacher

 

 

 

 

 

“Encontrar, apanhar, guardar, esquecer que está guardado, voltar a encontrar, relembrar, utilizar, criar.

Os olhares chegam-me logo ao primeiro encontro; apanho pois “pode servir”, guardo pois “pode servir”. Ficam guardados numa gaveta, numa caixa, daquelas onde se guardam coisas para “um dia”, para “quando tiver tempo”, olhares guardados ainda sem rumo.

São coisas com memória, para mim. Não as deito fora: um dia podem servir. Esse dia pode demorar anos a chegar. Mas não tenho pressa.

Serviram agora para esta onda criativa. Quem der tempo a estes olhares, irá ver para além da composição, sempre importante.

Apanho, guardo. Vejo coisas. Vejo possibilidades. Sim, andei ao rabisco. Pelas cidades com cartazes que me trazem estes olhares. Estes de Lisboa, Berlim, Florença, Copenhaga. Pelas praias  de Portugal, Brasil e Dinamarca. Por todo o lado.

Sou uma respigadora internacional; e consumista e coleccionadora. Acumulo memórias, as minhas.

Agora e aqui elas trouxeram estes olhares criados com o que fui encontrando, recolhendo, guardando “para um dia”, este dia. São um mar de memórias, as minhas.

Agora os olhares são vossos e as minhas memórias não interessam.

Os vossos olhares recolherão a história que cada um criar do que aqui vos mostro. Se criarem memórias, as vossas, ficarei satisfeita.

Bons olhares!”

https://www.bracodeprata.com/exposicoes/27-inauguracoes/453-olhares-de-rabisco-de-silvia-schiermacher