Ricardo Assunção, um veterinário na Technical University of Denmark

“Ricardo Assunção é médico veterinário e está a desenvolver investigação no National Food Institute da Technical University of Denmark

Qual a sua área de especialidade e porque escolheu essa área?

As minhas áreas de trabalho têm sido a segurança alimentar e a saúde pública. Durante a minha formação em Medicina Veterinária, o gosto pela microbiologia levou-me à microbiologia alimentar. Daí à segurança alimentar e saúde pública foi um percurso evidente e que me tem permitido aprender muito e também partilhar o que tenho aprendido.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar no estrangeiro? Onde trabalha neste momento e qual a sua função?

Esta oportunidade surgiu no âmbito de um programa internacional organizado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), o EU-FORA. Este programa combina formação com o desenvolvimento de projetos em diferentes instituições relacionadas com a segurança alimentar na União Europeia. No meu caso em particular, estou no National Food Institute da Technical University of Denmark (DTU), enquanto visiting researcher.

O que o fez tomar a decisão de sair de Portugal?

No fundo resultou da decisão de me candidatar a este programa (EU-FORA), atendendo a que é organizado pela EFSA e à credibilidade associada bem como, após a fase de seleção, poder integrar um grupo de investigação numa instituição de referência como a DTU.

Quais as diferenças que encontra entre os métodos de trabalho nos dois países? Ou seja, como é um dia de trabalho normal na Dinamarca?

Não querendo generalizar – porque não conheço a realidade de todo o país – diria que as principais diferenças são maior organização e foco. Aqui na Dinamarca as atividades são discutidas e planeadas. Cada um sabe quais as suas funções e executa-as, não havendo necessidade de fazermos algo que não tínhamos planeado. Isto permite que cada um esteja mais focado nas suas tarefas. Em Portugal temos por natureza a capacidade de fazer muito e bem, e isso é muito valorizado. Mas também exige muito de cada um, o que leva a que muitas vezes nos sintamos mais cansados. Relativamente ao dia de trabalho é muito semelhante a Portugal, com exceção para o tempo para almoço, que é menor.

Como é viver fora de Portugal? Conseguiu adaptar-se bem?

A adaptação correu bem. Conheço alguns portugueses aqui em Copenhaga, o que é sempre uma ajuda. Mas os Dinamarqueses são muito simpáticos, o que facilita muito o processo de adaptação. Mas, claro, as saudades vão crescendo…

Quais os seus planos para o futuro?

Neste momento os meus planos são terminar este programa, regressar a Portugal e poder partilhar e aplicar o know-how que obtive durante este período.

Então equaciona voltar a Portugal?

Sim, faz parte dos meus planos. Não há país igual a Portugal.

Qual o trabalho/projeto gostaria de desenvolver?

Gostaria de poder desenvolver a minha área de especialização, em particular de avaliação de risco e avaliação de risco-benefício em alimentos em Portugal. Poder desenvolver atividades de investigação e, se possível, associadas a docência, permitindo partilhar o conhecimento que fui obtendo nestas áreas e que penso ainda são pouco exploradas em Portugal.

Que conselhos dá aos recém-licenciados com dificuldades em ingressar no mercado de trabalho?

O que vou sentindo é que a especialização e diferenciação são cada vez mais necessárias. O mercado exige que cada profissional seja único e esta distinção resulta da formação, mas também do percurso e aprendizagem que vão moldando o que somos. Assim, na minha perspetiva, através de experiências que permitam adquirir não só conhecimento técnico, mas também crescimento pessoal, permitirão atingir essa diferenciação que é muito valorizada hoje em dia. E uma possibilidade são as experiências no estrangeiro. Para os recém-licenciados gostaria de sugerir que procurem essas experiências. Atualmente existem alguns programas que com certeza irão focar alguns tópicos que serão do vosso agrado e que permitirão o início deste percurso.

Qual o seu sonho?

Neste momento… comer castanhas assadas e sentir o cheirinho delas. Cheira a Lisboa, a Portugal!”

https://www.veterinaria-atual.pt/na-clinica/gostaria-de-poder-desenvolver-a-minha-area-de-especializacao-em-portugal/?fbclid=IwAR36-mbrhwyDGl86yftWZ8wi4pJjHAdwnlr-n7OjpIEAOJAZ6ZPPCOh92Ko