Helder Moutinho regressa a Copenhaga


O fado em forma de história

 

É fadista, autor, compositor, produtor e, há quem diga, poeta. Esta versatilidade e a ligação que tem, desde sempre ao fado (ou não fosse a sua família de tradição manifestamente fadista) fazem de Helder Moutinho uma figura incontornável do panorama musical português.
Foi Prémio Amália Rodrigues em 2005, para Melhor Disco do Ano com o álbum “Luz de Lisboa” e recebeu algumas das melhores críticas da especialidade.
Depois de ter pisado por duas vezes o palco do Museu de Arte Moderna de Louisiana, o fadista português está de volta à Dinamarca, passados 10 anos, para apresentar “Que fado é este que trago”.

 

Portugueses na Dinamarca - Quem estiver presente no Museu de Arte Moderna do Louisiana, no próximo dia 5 de Novembro, vai poder ouvir, entre outras músicas, temas do seu último álbum “Que fado é este que trago”. Fale-nos um pouco sobre este trabalho.

 

Hélder Moutinho - Basicamente é uma viagem imaginária ao Mundo do Fado. Isto porque se trata de uma viagem em que nós, (eu e os músicos que dele fazem parte) acreditamos de onde poderá ter vindo, por onde passou e até onde poderá ir. Revisitando dos fados tradicionais, os musicados e até aos dias de hoje e do futuro, os novos fados.

 

PD - Como disse, este disco pode ser interpretado como uma viagem por uma história imaginária acerca do fado:  “de onde poderá ter vindo, por onde pode ter passado e para onde poderá ir”. Na sua opinião, para onde vai o fado?

 

HM - Acho que o fado deverá vir a sofrer um pouco aquilo que a música pop sofreu e mais tarde alguma da música popular urbana. Terá de haver um desenvolvimento na produção musical de forma a que as pessoas possam ter uma ideia diferente de cada projecto. Não se trata apenas das vozes e da formação tradicional, as coisas vão desenvolver-se para outros caminhos.

 

PD - O Helder Moutinho é compositor e autor de algumas músicas e letras deste último álbum. É difícil escrever e musicar para fado? É necessário um determinado estado de espírito?

 

HM - Existe uma linguagem especifica, tanto nas letras como nas músicas, mas não sei explicar muito bem, penso que é um mistério.

 

PD - O que espera deste espectáculo?

 

HM - É a terceira vez que actuo no Louisiana. Fui sempre muito bem recebido, o público é extraordinário. Já cá não venho há 10 anos.   

 

PD - Para quem percebe português, muitas vezes já é difícil entender o fado. Para quem não entende a nossa língua, esta música tão peculiar tem que ser transmitida de outra forma. Que sentimentos pretende transmitir neste espectáculo?

 

HM - Costumo falar um pouco sobre cada fado que canto para envolver o publico no tema da canção. Depois é apenas acreditar no peso das palavras e ser o mais honesto possível com interpretação. Dessa forma quase sempre se consegue chegar ás pessoas.

 

PD - É diferente cantar para o público português, em Portugal, e cantar para o público português, fora de Portugal?

 

HM - É muito diferente mas tudo depende da distância. Nos Estados unidos por exemplo chega a parecer um concerto de Pop-Rock pelo entusiasmo do público que tem falta de opurtunidade de ver e ouvir um artista português.

 

PD - Quer deixar uma mensagem para os portugueses que vivem na Dinamarca?

 

HM - Sim: Nunca se esqueçam da nossa língua e da nossa cultura. Passem o que puderem para os vossos filhos.

 

Helder Moutinho
Sexta-feira, 5 de Novembro 2010, 20 horas

Museu de Arte Moderna - Louisiana

 

Marta Jobling