COVID-19 – Comunicação do Infarmed sobre o uso de anti-inflamatórios (Ibuprofeno)

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“Antes de mais, gostaríamos de agradecer a todos o contributo na luta contra a disseminação do vírus COVID-19. É importante sobretudo para os grupos considerados de risco – pessoas com mais de 60 anos e/ou hipertensos, diabéticos e pessoas com imunidade reduzida – ficarem em casa sempre que possível nestas próximas semanas e que os outros cidadãos, por outro lado, ajudem a parar o contágio, não deixando de sair de casa para uma caminhada, corrida moderada ou volta de bicicleta, mas evitando SEMPRE proximidade com pessoas exteriores ao agregado familiar diário, assim como tocar em superfícies manuseadas por muitas pessoas diferentes (parques infantis, portas, interruptores, carrinhos supermercado, etc.) sem luvas ou utilizando outras pecas de roupa que possam tirar para lavar quando regressam a casa, após o que devem lavar maos e cara ou tomar um duche.

Partilhamos aqui uma comunicação do Infarmed relativamente à hipótese recentemente colocada pela comunidade científica internacional sobre o uso de anti-inflamatórios não esteróides, como é o caso do ibuprofeno (vulgarmente conhecido como Brufen), acelerar a infeção pelo vírus COVID-19, podendo (ou não) contribuir para a evolução de sintomas moderados – como acontece na maioria dos casos – à necessidade de tratamento hospitalar.
Esta hipótese, ainda por comprovar, baseia-se no que se apurou até agora do mecanismo de accao deste vírus, que parece ligar-se às células alvo através do enzima conversor da angiotensina (ACE2). A expressão deste ACE2 parece ser elevada em pessoas tratadas com inibidores ACE, ARBs (bloqueadores dos recetores da angiotensina II), tiazolidinedionas e ibuprofeno.
Alguns destes medicamentos são usados no tratamento de hipertensão e diabetes, razão pela qual a terapêutica NAO deve ser interrompida ou substituída sem indicação médica.
A recomendação do Infarmed é, tal como a da Sociedade Europeia de Cardiologia, entre outras fontes fidedignas, a de manter as terapêuticas até aqui utilizadas, até que hajam evidências conclusivas a este respeito. Estima-se que em Maio teremos mais informação disponível.
Em resumo, no caso de sintomas suspeitos de coronavírus, caso seja possível e até sabermos mais, é aconselhado o uso de paracetamol (Panodil, Benuron).
Nos outros casos, em que a utilização pontual ou contínua dos medicamentos acima referidos seja necessária para o tratamento de outras patologias, a recomendação é para continuar a terapêutica habitual e contactar o médico APENAS se o estado de saúde geral se agravar ou, em particular, se houver febre, tosse e falta de ar.
Caso tenham dúvidas, podemos naturalmente tentar responder na medida do possível, sem ultrapassar as nossas competências e ajudando na decisão de contactar ou não um médico.